[RESENHA] - Pessoas normais

junho 15, 2020



Pessoas normais

Autora: Sally Rooney
Editora: Companhia das letras
Ano: 2019
Páginas: 264
Nota: 8

Na escola, no interior da Irlanda, Connell e Marianne fingem não se conhecer. Ele é a estrela do time de futebol, ela é solitária e preza por sua privacidade. Mas a mãe de Connell trabalha como empregada na casa dos pais de Marianne, e quando o garoto vai buscar a mãe depois do expediente, uma conexão estranha e indelével cresce entre os dois adolescentes – contudo, um deles está determinado a esconder a relação.

Um ano depois, ambos estão na universidade, em Dublin. Marianne encontrou seu lugar em um novo mundo enquanto Connell fica à margem, tímido e inseguro. Ao longo dos anos da graduação, os dois permanecem próximos, como linhas que se encontram e separam conforme as oportunidades da vida. Porém, enquanto Marianne se embrenha em um espiral de autodestruição e Connell começa a duvidar do sentido de suas escolhas, eles precisam entender até que ponto estão dispostos a ir para salvar um ao outro. Uma história de amor entre duas pessoas que tentam ficar separadas, mas descobrem que isso pode ser mais difícil do que tinham imaginado.


"A maioria das pessoas viveriam suas vidas inteiras sem nunca se sentirem tão próximas de alguém."

"Pessoas normais" conta a história de Connell e Mariane; Dois jovens que estudam no mesmo colégio no interior da Irlanda mas que possuem diferentes estilos de vida. Enquanto Connell é o astro do time de futebol e super popular na escola, Marianne é considerada por seus colegas de classe a "esquisitona" e sem amigos. Apesar deles não serem amigos durante as aulas, os dois possuem uma certa ligação: mãe de Connell trabalha como doméstica na mansão em que Marianne vive, sendo assim eles acabam se encontrando com bastante frequência fora do convívio escolar, fazendo com que eles se aproximem e surgindo um relacionamento de muitas idas e vindas.

A obra de Sally Rooney foi uma leitura de diversos altos e baixos para mim. A escrita da autora, em primeiro momento, pode incomodar o leitor que está acostumado com o diálogo na história de forma mais clássica (com o travessão) mas aos poucos isso não se torna nenhum empecilho para captar toda  a essência da leitura, muito pelo contrário, é com essa forma de escrita que Sally nos mostra de forma ainda mais realista a diversas dores, inseguranças em torno das idas e vindas do casal. 

Os capítulos são iniciados com um certo espaço de tempo, podendo ser semanas ou meses. Então, conhecemos Marianne e Connell ainda na escola e a aproximação rápida e intensa porém de forma que mais ninguém da escola saiba, e o desfecho do relacionamento junto com o fim do ensino médio. Esse momento da trama é passado de forma mais superficial para o leitor, mas sem deixar que nos envolva com os acontecimentos. Conhecemos, também, a família de cada um e a vida social na pequena cidade do interior da Irlanda, mostrando para o leitor já intensos momentos de angustia, insegurança que se tornam acada mais nítidos no decorrer da história.

E a grande reviravolta que marca Pessoas normais é a época da faculdade em Dublin; 



Um ano depois, Connell e Mariana estão na faculdade e tudo se torna diferente entre ambos e o meio social. Enquanto Marianne se encontrou em grupos de amigos e festas, Connell se sente perdido, solitário e com incertezas constantes sobre suas escolhas mas tentando se encaixar nesse "mundo" totalmente diferente que era na época da escola. E aí surge as diversas complexidades, dúvidas e medos sobre a vida e decisões. 

Em muitos momentos a história escrita por Sally se tornou cansativa para mim, tanto pelo enredo cheios de idas e vindas quanto pelo desenrolar sem fim dos acontecimentos mas, mesmo assim, concluir a leitura sem arrependimentos. 

Pessoas normais traz de forma mais realista possível os medos, inseguranças, dúvidas, alegrias e pensamentos de um jovem no mundo de hoje. A falta de comunicação entre o casal ao longo do livro é visivelmente clara para o leitor, que me fez refletir muito sobre diversos momentos de conflitos em nossas vidas que pode ter sido levados por uma simples conversa e interpretação. Enquanto um dizia A, o outro entendia B e seguiam a vida em rumos diferentes sem deixar claro o que de fato havia incomodado ou gostaria de expressar. O que é, com certeza, algo muito comum em nossas vidas. 

Além, a importância de identificar e compreender em como o histórico negativo familiar pode acarretar diversos problemas psicológicos no indivíduo, a narrativa trouxe de forma muito clara e sensível o assunto sobre depressão e ansiedade e a importância do cuidado que é constante, a autora soube mostrar de uma forma realista e impecável sobre os personagens e seu amadurecimento por meio de erros, dúvidas e experiência na juventude.  

Me encantei e foi além das minhas expectativas a leitura de Pessoas normais. Trazendo para a nossa realidade, se torna quase que impossível não se nos identificar em algo momento com tudo o que Connell e Marianne passa, seja a vida pessoal ou a época de faculdade e início de carreira. Grande destaque para a qualidade de escrita e narrativa direta e sensível que Sally nos apresenta com uma história comovente e real para o leitor. 

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