[RESENHA] O ódio que você semeia
junho 01, 2020
Autor: Angie Thomas
Editora: Galera Record
Ano: 2017
Páginas: 372
Nota: 9,5
Starr aprendeu com os pais, ainda muito nova, como uma pessoa negra deve se comportar na frente de um policial.
Não faça movimentos bruscos.
Deixe sempre as mãos à mostra.
Só fale quando te perguntarem algo.
Seja obediente.
Quando ela e seu amigo, Khalil, são parados por uma viatura, tudo o que Starr espera é que Khalil também conheça essas regras. Um movimento errado, uma suposição e os tiros disparam. De repente o amigo de infância da garota está no chão, coberto de sangue. Morto.
Em luto, indignada com a injustiça tão explícita que presenciou e vivendo em duas realidades tão distintas (durante o dia, estuda numa escola cara, com colegas brancos e muito ricos - no fim da aula, volta para seu bairro, periférico e negro, um gueto dominado pelas gangues e oprimido pela polícia), Starr precisa descobrir a sua voz. Precisa decidir o que fazer com o triste poder que recebeu ao ser a única testemunha de um crime que pode ter um desfecho tão injusto como seu início.
"Qual é o sentido de ter voz se você vai ficar em silêncio nos momentos que não deveria?"
Starr é uma jovem garota de apenas 16 anos dividida entre dois mundos: mora em Garden Heights, na qual a maioria dos habitantes são negros e estuda em um colégio particular em outro bairro. Em uma sexta-feira qualquer, Starr vai à uma festa em Garden Heights e reencontra o seu melhor amigo de infância, Khalil e, ao voltar da festa no carro com ele, um policial os para e no meio da ação confunde uma simples escova de cabelo com uma arma e atira no garoto. E a partir desse acontecimento, Starr e todo o bairro entra em mobilização e luta para que a justiça seja feita sobre a morte de Khalil.
O ódio que você semeia é o livro de estreia de Angie Thomas que soube abordar perfeitamente bem um assunto extremamente importante e necessário atualmente: o racismo. Com uma leitura transparente e sem rodeios, a autora apresenta ao leitor uma narrativa simples mas objetiva, que demonstra toda a angústia, medo e inseguranças da protagonista diante de todo conflito que é narrado na trama.
Narrado em primeira pessoa, pela Starr, que apesar de ser muito jovem, soube reconhecer a sua força e coragem para encarar os diversos dilemas diante do que aconteceu com o seu melhor amigo e que, enquanto lida com a perda do melhor amigo, Starr precisa, também, lidar com as inúmeras diferenças que acerca ela e suas amigas do colégio, pois são meninas brancas que nem sequer vivenciaram esse tipo de violência no bairro em que mora. Impossível não nos emocionar e sentir a tristeza e angustia de Starr.
"Nós queremos liberdade. Queremos o poder de determinar o destino das nossas comunidades negras e oprimidas."

A história é marcada por manifestações e sede de justiça pela morte do jovem; Enquanto Starr precisa conviver com muitas pessoas que acreditam fielmente mas sem provas que Khalil merecia esse fim pois era um traficante, a jovem precisa também enfrentar como testemunha do assassinato o júri para o julgamento do policial. E, é nesses momentos conflitantes na vida de Starr que a autora nos apresenta de forma realista e verdadeira as diferenças de tratamento sobre uma sociedade racista.
No mundo de hoje, O ódio que você semeia é tão necessário e importante para abrir discussões em torno do preconceito racial e pessoas negras sendo mortas diariamente ao redor do mundo. É de extrema humanidade e sensibilidade termos a clara consciência que esse tipo de coisa é desumano e cada indivíduo pode e DEVE fazer sua parte.
No meu papel e lugar de mulher branca, reconheço o meu privilégio branco e sei que posso passar por diversos obstáculos na vida mas que nenhum deles vai ser pela minha cor de pele. E essa obra de Angie Thomas abre os olhos que assim como você, pessoa branca, reconhece que a chance da polícia atirar em você ou qualquer amigo branco que você tenha porque confundiu com uma simples escova de cabelo, como é narrado em O ódio que você semeia, é mínima. É reconhecer, também, a importância de pessoas de classe alta e privilegiadas socialmente tenha um papel importante como voz e apoio para essa causa tão retrograda mas recorrente nos dias atuais.
Editora: Galera Record
Ano: 2017
Páginas: 372
Nota: 9,5
Starr aprendeu com os pais, ainda muito nova, como uma pessoa negra deve se comportar na frente de um policial.
Não faça movimentos bruscos.
Deixe sempre as mãos à mostra.
Só fale quando te perguntarem algo.
Seja obediente.
Quando ela e seu amigo, Khalil, são parados por uma viatura, tudo o que Starr espera é que Khalil também conheça essas regras. Um movimento errado, uma suposição e os tiros disparam. De repente o amigo de infância da garota está no chão, coberto de sangue. Morto.
Em luto, indignada com a injustiça tão explícita que presenciou e vivendo em duas realidades tão distintas (durante o dia, estuda numa escola cara, com colegas brancos e muito ricos - no fim da aula, volta para seu bairro, periférico e negro, um gueto dominado pelas gangues e oprimido pela polícia), Starr precisa descobrir a sua voz. Precisa decidir o que fazer com o triste poder que recebeu ao ser a única testemunha de um crime que pode ter um desfecho tão injusto como seu início.
"Qual é o sentido de ter voz se você vai ficar em silêncio nos momentos que não deveria?"
Starr é uma jovem garota de apenas 16 anos dividida entre dois mundos: mora em Garden Heights, na qual a maioria dos habitantes são negros e estuda em um colégio particular em outro bairro. Em uma sexta-feira qualquer, Starr vai à uma festa em Garden Heights e reencontra o seu melhor amigo de infância, Khalil e, ao voltar da festa no carro com ele, um policial os para e no meio da ação confunde uma simples escova de cabelo com uma arma e atira no garoto. E a partir desse acontecimento, Starr e todo o bairro entra em mobilização e luta para que a justiça seja feita sobre a morte de Khalil.
O ódio que você semeia é o livro de estreia de Angie Thomas que soube abordar perfeitamente bem um assunto extremamente importante e necessário atualmente: o racismo. Com uma leitura transparente e sem rodeios, a autora apresenta ao leitor uma narrativa simples mas objetiva, que demonstra toda a angústia, medo e inseguranças da protagonista diante de todo conflito que é narrado na trama.
Narrado em primeira pessoa, pela Starr, que apesar de ser muito jovem, soube reconhecer a sua força e coragem para encarar os diversos dilemas diante do que aconteceu com o seu melhor amigo e que, enquanto lida com a perda do melhor amigo, Starr precisa, também, lidar com as inúmeras diferenças que acerca ela e suas amigas do colégio, pois são meninas brancas que nem sequer vivenciaram esse tipo de violência no bairro em que mora. Impossível não nos emocionar e sentir a tristeza e angustia de Starr.
"Nós queremos liberdade. Queremos o poder de determinar o destino das nossas comunidades negras e oprimidas."

A história é marcada por manifestações e sede de justiça pela morte do jovem; Enquanto Starr precisa conviver com muitas pessoas que acreditam fielmente mas sem provas que Khalil merecia esse fim pois era um traficante, a jovem precisa também enfrentar como testemunha do assassinato o júri para o julgamento do policial. E, é nesses momentos conflitantes na vida de Starr que a autora nos apresenta de forma realista e verdadeira as diferenças de tratamento sobre uma sociedade racista.
No mundo de hoje, O ódio que você semeia é tão necessário e importante para abrir discussões em torno do preconceito racial e pessoas negras sendo mortas diariamente ao redor do mundo. É de extrema humanidade e sensibilidade termos a clara consciência que esse tipo de coisa é desumano e cada indivíduo pode e DEVE fazer sua parte.
No meu papel e lugar de mulher branca, reconheço o meu privilégio branco e sei que posso passar por diversos obstáculos na vida mas que nenhum deles vai ser pela minha cor de pele. E essa obra de Angie Thomas abre os olhos que assim como você, pessoa branca, reconhece que a chance da polícia atirar em você ou qualquer amigo branco que você tenha porque confundiu com uma simples escova de cabelo, como é narrado em O ódio que você semeia, é mínima. É reconhecer, também, a importância de pessoas de classe alta e privilegiadas socialmente tenha um papel importante como voz e apoio para essa causa tão retrograda mas recorrente nos dias atuais.


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