[RESENHA] Bom dia, Verônica - Livro x Adaptação

outubro 12, 2020

 


Bom dia, Verônica | Andrea Killmore (Raphael Montes e Ilana Casoy) | 2016 | DarkSide Books | 256 páginas

"Quanto mais eu investigava esses casos, mais ficava certa de que o mundo é louco e de que o ser humano não tem limites."

Verônica é uma escrivã de Delegacia de Homicídios de São Paulo; E, no que poderia ser mais um dia comum, ela se depara com Marta saindo da sala do Wilson Carvana, delegado titular, completamente devastada após sofrer um golpe de um cara chamado "Pietro" em um site de relacionamentos. Marta foi dopada  e o criminoso levou todos os seu pertences de valores, menos o celular. Verônica tenta consolar a vítima mas presencia o pior: o suicídio de Marta dentro da delegacia. Apesar de o caso aparecer na mídia, Carvana pede para que Verônica engavete o caso mas não se deixa por convencida e começa as buscas sozinha pelo cara e por uma possível vingança. 


Janete é casada com um policial militar, Brandão; E, ao ver a entrevista de Verônica na TV, liga para ela e afirma que Brandão mata mulheres e que pretende mata-lá. Sem entender a veracidade dessa informação, Verônica inicia sua investigação no segundo caso. 

"Bom dia, Verônica" é escrito por dois escritores brasileiros, Raphael Montes e Ilana Casoy, pelo pseudônimo de Andre Killmore; Com uma narrativa tensa que deixa o leitor tenso a cada nova descoberta dos casos, a trama nos apresenta dois casos diferentes mas que ao mesmo tempo trata de crimes perversos e abuso sexual e psicológico. 

"No Brasil, ninguém checa nada. A mulher se suicidou. Logo, caso encerrado." 

Ambos os casos me deixaram curiosa o livro inteiro, mas verônica não foi uma personagem que me agradou pelas suas atitudes. Podemos compreender os motivos bons que a protagonista teve mas, em muitas das situações, foram feitas com base em mentiras, colocando vítimas em grande risco, como a Janete, e isso me incomodou muito ao longo do livro e não me fez ter muito empatia sobre a Verônica e suas decisões.

O desfecho foi totalmente inesperado e muito bom. Ao longo da leitura, imaginei muitas coisas que poderiam acontecer mas as reviravoltas nos trouxe um final interessante e criativo para a história e em concordância com a personalidade de Verônica. 


                                                                     ADAPTAÇÃO

A série original Netflix estreou este mês e, assim que finalizei a leitura comecei a maratona. Ao longo dos 8 episódios, acompanhamos a Verônica, interpretada pela Tainá Muller, durante os casos de Marta Campos e Janete iguais ao livro mas com alguns aspectos diferentes durante a investigação, mas foram agregador para o audiovisual de toda a história. 

Com personagens que não existiam no livro, como a delegada Anita, que trouxe para a trama ainda mais suspense e ação, a série conseguiu apresentar toda a aflição, angústia que sentimos ao ler a história. Dou destaque para a violência psicológica de Brandão, que foi algo que pairava no ar em todas as cenas dele. 

Alguns pontos interessantes e tensos no livro não foram produzidos na adaptação, mas não interferiu em nada na qualidade da obra para o público.

A personagem Verônica na série possui a sede por justiça assim como no livro, mas, para mim, a protagonista na adaptação se tornou uma das minhas personagens favoritas da série, diferentemente do livro. Verônica luta para descobrir e salvar a Janete, antes que seja ela morta, e ao mesmo tempo as cenas dela com a família são os momentos, no início, leves em meio ao casos e tensão sobre a vida profissional e o passado da personagem, o que me agradou muito mais. 

Apesar de um desfecho com aspectos diferentes pois houve acontecimentos inéditos, a série teve uma produção impecável com todo o gancho merecido para uma próxima temporada.

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